Durante o tempo que estive na Holanda, e durante as postagens, ficou nas entrelinhas uma história, um romance. Mas essa é uma história que sempre quis contar, deixar bem aberta. Porque felicidade é feita pra ser vivida intensamente e compartilhada!
A história começa a exato um ano, numa das inúmeras noites chuvosas de Amsterdã. Um grupo de brasileiros se reúne para comemorar o aniversario de um amigo em comum, e quando se mora fora dessa forma, todos compatriotas são amigos. Conheci várias pessoas esse dia, inclusive uma pessoa que achei que fosse um dos estrangeiros infiltrados no nosso grupo de estrangeiros.
Como toda reunião de muita gente com idéias diferentes, o grupo que se reuniu em Amsterdã naquela noite se dividiu em interesses. Uma parte pruma boate e a outra parte para uma “peregrinação” de pubs. Estavam nesse grupo dois estrangeiros, três brasileiros e eu. Não me dei bem em entrosar com os estrangeiros que bebiam demais, um dos brasileiros sumiu no meio da festa e eu dancei muito com esse brasileiro de olhos azuis.
A noite acabou, e o contato posterior foi em meio virtual, apesar de ele nem lembrar como meu telefone foi parar no celular dele. Mas a conversa rolava solta, natural. E assim fomos nos conhecendo, interesses em comum, e o fatal: começamos a planejar viagens juntos. Claro, que com mais pessoas, porque, de fato, nem ele nem eu queríamos nos envolver, por motivos diferentes, mas não estava nos nossos planos viver um romance com quem quer que fosse.
Passamos bastante tempo sem se encontrar de fato, mudei de casa, trabalho, ele também, mas por motivos diferentes, pra sorte dele. Nosso encontro se deu, de novo, em uma festa de amigos, dessa vez pra despedir. E que festa! Aliás, nem sei, já que não lembro de muita coisa. Foi no começo de dezembro. E na verdade nos encontramos mais para comprar as passagens de trem para Paris, em janeiro, e aproveitar a promoção!
Ainda nos vimos de novo em dezembro, quando ele foi passar um fim de semana na casa em que eu morava junto com outros dois brasileiros. E foi bem divertido! Passamos o sábado tranqüilo e no domingo fomos para Amsterdã debaixo de neve junto com outro brasileiro que tinha se mudado para a mesma cidade que eu, grande amigo. E nesse dia ele nem conseguiu voltar pra casa por causa da neve e dos trens, voltou pra nossa casa.
Depois disso, o ano novo…
Esse eu nunca vou esquecer. Pode-se dizer que foi aí que as coisas ficaram mais claras. Tínhamos combinado de passar em Amsterdã. Mas uma virose brava me deixou de cama nesses dias, e eu não poderia ir pra festa lá. Esse rapaz então veio passar a virada comigo e o brasileiro que ainda estava na casa. Apesar de eu estar passando bem mal, foram dias bem felizes. Nos aproximamos. Conversávamos, assistíamos filme. Café da manhã de bolacha com geléia e chá… carinhos e cafunés… e sonhos sonhados juntos!
Quando estamos na Europa o que mais queremos é viajar. Conhecer tudo que temos pra ver. E sempre quis conhecer a Grécia, país que me fascina pela sua história e filosofia desde pequena. E, como ele dizia, seria um sonho pra ele. Nesse ano novo, olhando destinos de bobeira na internet, vi que não seria tão inviável realizar esse sonho em comum. Difícil seria alguma outra pessoa topar passar uma semana por lá!
A despedida desse feriado é coisa que não esquecerei… além de ele ter ficado uma hora a mais, só para ficar abraçado comigo, na porta nos demos um abraço, mas foi um abraço tão intenso, que foi muito mais que um abraço.
E esse abraço ficou na minha cabeça nas semanas seguintes. O que eu faria? Eu queria? Queria. Mas devia? Nunca vou saber se não. O fato é que no dia 20 de janeiro viajaríamos para Paris. E Paris não é qualquer cidade. Só a idéia de ir pra lá já me deixava mais romântica, carente. Pensando que estar na cidade luz com alguém especial seria… especial!
Eu não queria mais evitar, sabia o que queria, mas não tomaria atitude. No fim das contas era coisa que tinha que partir dos dois.
Essa mágica de Paris nos envolveu. Nos envolvemos de fato. O abraço se fez em beijos, sorrisos, paixão. Foi coisa maravilhosa! Estar com uma pessoa, num beijo, que fez o fato de estarmos em cima da Torre Eiffel parecer… nada. Voltar a ser criança na Disney, brincando de esconder nas cavernas, sentindo adrenalina de várias formas… Com direito a andar alegres pelas ruas de Paris depois de tomar algum vinho francês. Jantar à beira do sena, em grande estilo. E agora lembrando disso tudo, parece ao mesmo tempo que foi um tempo enorme, e tão curto. Mágico.
Voltamos, cada um pra sua cidade, mas com uma felicidade deliciosa, que eu me lembro bem, durou dias! Durou até nosso encontro seguinte, no carnaval. Fomos para a casa de um amigo comemorar com feiojada, neve, caipirinha e outros etílicos, e outros brasileiros! Pessoas que não vou esquecer tão cedo.
Foram muitos encontros depois. Íamos nos descobrindo, conhecendo aos poucos, e mais e mais. Ele ia para minha casa nos finais de semana. Onde fomos na boate teenager e dançamos lambada do jeito verdadeiro para os holandeses verem. Ficávamos de namorinho o fim de semana inteiro até a hora de ele voltar pra casa. Aproveitamos bem esses dias, já que estava frio e ele não tinha que trabalhar tanto quanto foi depois. Nos envolvendo intensamente, como tudo que acontece quando se mora fora. Fomos amigos, amantes, parceiros!
Nesse meio tempo o nosso sonho em comum foi tomando forma… as passagens de avião e de barco foram compradas. Os hotéis reservados. E a Grécia tinha tomado forma para nós.
Na páscoa partimos pro segundo melhor lugar que se pode ir nessa data, depois da Suíça, a Bélgica. Juntamente com o brasileiro que morava na mesma cidade que eu. E que viagem! Três cidade em três dias! Mas valeu muito a pena. Com direito a muita cerveja diferente e karaokê. E a música dedicada a mim, “All my loving”. Hum, tem isso também! Esqueci de contar.
Nos falamos quase todos as noite durante meses pelo telefone ou skype. E numa dessas noites ele dedicou pra mim uma música dos Beatles, outra paixão em comum, “Something”. Me fez chorar esse dia. A letra dessa música, segundo ele, trazia muito da forma como ele me via.
Voltando da Bélgica, eu passando por mais problemas na empresa e com o programa, e ele sempre lá pra me ouvir. E a viagem pra Grécia se aproximando. Os nossos finais de semana juntos cada vez mais raros com o aumento do trabalho dele. Mas nosso contato continuava, sempre.
Os ânimos se exaltaram quando os aeroportos da Europa foram fechados por causa do vulcão. E ainda quando a crise na Grécia deu origem a uma paralisação bem no dia que iríamos chegar lá. Mas nada disso nos impediu de viver oito dias de sonho!
Depois de se apaixonar em Paris, tivemos praticamente uma lua de mel na Grécia! Em praias paradisíacas. A água tão azul que fazia os olhos dele ficarem sem cor quando estávamos por perto. Comidas maravilhosas, cheiros… tudo isso acentuado por um sentimento de cumplicidade e companheirismo que eu não imaginava nunca encontrar em alguém, muito menos que eu tivesse que atravessar o oceano pra conhecer. Sabe o que é estar na frente de uma pessoa, olhando dentro de seus olhos, e ver como se tivessem passado 30 anos vividos intensamente juntos? Eu sei. E esse momento está gravado em minha memória como uma quase verdade, dessas que só podem ser ditas no silêncio de olhares…
E como todo sonho uma hora acaba, voltamos pra nossa realidade na Holanda. A partir daí começaram os preparativos para a volta. E eu achando que teria que voltar naquele mês de junho ainda, por não agüentar, pelos problemas na empresa. Mas consegui ficar.
No entanto o fim estava próximo, tanto pra ele quanto pra mim, ou pra nós. Ele ainda foi alguma vez pra minha casa, passeamos no sul da Holanda, onde ele trabalhou primeiro. O sentimento de ter que encarar outra realidade foi tomando conta da gente. As incertezas da volta. Junto com as certezas. Essa bagagem acumulada durante seis maravilhosos meses.
Acompanhei ele até o ônibus que o levaria para o aeroporto, na volta dele pra casa. Não me sentia mal, pois ouvi de sua boca que ele queria tentar continuar quando voltássemos para o Brasil.
Hoje faz um ano que coloquei o primeiro post no blog, sem se a poesia inaugural. Um ano que me despedi dos amigos, preparei a mala e atravessei o oceano. Um ano que não sabia ao certo o que realmente ia acontecer…
E essa tristeza intrometida
Que toma conta desta hora
Numa dor quase fingida
Que parece nunca ir embora
Um choro mansinho
A lágrima se demora
Num que de quase não querer
Faz morada nessa casa
Que de fato não lhe apraz
E na ponta da chibata
Onde cochila tal capataz
Traz de um tempo recente
Essa lembrança latente
Remonta dias de neve e sol
Que não existem mais
Tristezas e alegrias
Queimam com o incenso
Numa espiral de fumaça
Sobe e segue sem rumo
Levam ao sabor do vento
Lembranças que só o tempo
Sabe ao certo seu intuito.
Um ano que se foi, imenso
Passeios, pessoas, amores
Montam o vitral desta janela
Num mosaico de belas cores
Azul da Grécia e Paris
O cinza concreto de Berlin
Bélgica em tons de marrom
Coroados no verde da Itália
Tantos outros sentidos
Cheiros e sabores
E ainda, as flores…
Orquídeas e crisântemos
Levaram da felicidade ao pranto
De tudo só é permitido recordar
Reviver a dor ao pensar
E sentir a alegria rebrotar 27/09/2010 – 21:44
Não trocaria nada do que passei por momentos mais fáceis. Tudo valeu a pena. Os apertos, as pessoas que conheci, tudo que vivi. Hoje sou uma pessoa diferente daquela que saiu daqui há um ano. Um pouco mais triste, um pouco mais machucada, mas não é nada que o tempo não cure e reste somente o quanto eu cresci, amadureci.
É… um mês de Brasil! Ta, um pouco mais, e peço perdão pela demora…
Mas voltar é um processo tão dolorido e complicado quanto ir. E to descobrindo da pior maneira possível!
Nesse mês já tive altos e baixos fenomenais, mas as coisas vão tomando seu lugar aos poucos. É um choque! Chegar, se readaptar ao português (pode ser engraçado, mas tem hora que gaguejo pra falar e as palavras somem dentro da boca), restabelecer contatos, rotinas, metas! Novas metas, acho que essa agora é minha meta. Saber pra onde apontar o tiro.
Quando a gente ta lá fora acha que todos os problemas vão se resolver quando pisarmos na pátria amada de novo. E realmente, os problemas que eu tinha lá já estão todos resolvidos! Mandei o programa às favas, apesar de continuar achando que é uma tremenda falcatrua desse povo, mas, o que eu podia ter feito, eu fiz. E no fim eu descubro que voltar pra casa não é só pegar um avião, tem muito mais coisa aí por trás.
Lidar com todo esse conhecimento, experiência adiquirida ao longo desses 10 meses. Lidar com as coisas que ficaram pra trás quando se vai. Lidar com as novas coisas que aconteceram e que encontramos na volta. Caramba! Vou tentando aos pouquinhos retomar a vida e estabelecer uma rotina (nem tão rotina assim que até rotina demais cansa).
E o melhor de tudo é que as coisas sempre acontecem! A gente só tem que saber esperar. Ta que esse é um problemão pra mim, que gosto das coisas pra ontem! Agora começo a ver a roda girar, e o bonde andar. Visualizar coisas a curto prazo e fazer o possível pra que elas aconteçam!
Tenho tentado reencontrar as pessoas que aqui ficaram. Refazendo contatos… voltando aos poucos ao convívio social, o que tem me feito muito bem pra falar a verdade! Sem falar em contatos profissionais, graças a Deus! Com direito a churrasquinho pra reunir os amigos e saídas pra festa do pijama marcando um recomeço!
O legal é que os amigos que fiz por lá começam a aparecer. Lena, a russa que morava comigo, voltou pra casa já e está passando pelas mesmas coisas que eu passei quando cheguei aqui, guardadas as devidas proporções e linguagem! Converso sempre com ela, apesar das 7 horas de diferença. O que, na minha opinião, ajuda tanto ela quanto a mim nesse retorno. Apesar dos pesares, a gente tinha uma certa rotina estável por lá. E tanto eu fazia parte da dela, quanto ela da minha. E conversar com ela esses dias tem dado uma sensação de conforto bem bacana! E tem também o Radek, o polonês que trabalhava comigo, mandou um mail só e postou fotos da viagem que ele fez pra Malta, onde levou a bandeirinha do Brasil que eu dei pra ele e tirou uma foto com um cristo que tem lá em minha homenagem!
Postei as fotos da volta e do churrasco no álbum do picasa e quando tiver mais novidades eu volto aqui pra fofocar!
Depois de praticamente virar a noite em Amsterdã com o amigo Fabrício, passei o domingo tirando e colocando as roupas dentro das malas pra fazer caber tudo aquilo que não ficou por lá mesmo.
Noite insone, e bora pro aeroporto!
Excesso de bagagem, 4Kg. Se vira pra fazer caber! Compras no freeshop que por lá ficaram (poisé, perdi a sacolinha). E viagem de 12h com avião lotado!
Chega em São Paulo, problemas com o ticket pra BH. TAM, GOL, GOL, TAM, GOL…
Meia noite em BH e ninguém me esperando no aeroporto. Tá, não na frente da porta de vidro. Mas minha mãe, Tia Tetê e meu irmão Gabriel estavam lá no aeroporto, mas olharam o horário de chegada do vôo errado.
Almoço com a irmã Gabriela, feijão tropeiro da hora! Troca dinheiro no shoping e partiu pra Viçosa! A viagem foi tranqüila também, já a chegada nem tanto.
Logo assim que chegamos Tia Regina ligou falando pra ir direto pro hospital que vovó tinha ido pro CTI. Nem fomos em casa deixar as malas. 15 minutos depois que chegamos no hospital o médico veio com a notícia que ninguém queria receber…
Passei a noite no velório. E na quarta feira no enterro.
Então to assim, meio perdida, aérea. Como bem disse minha mãe hoje, me sentindo uma pipa que cortaram a linha, e sem rabiola! Fora as outras expressões, cego em tiroteio, azeitona em boca de banguelo, to assim, perdidinha mesmo.
As aulas já começaram. É estranho… estudar no meio de tanta gente que está começando agora. Apesar de fazer só matérias que eu quero realmente fazer.
E não me lembro de ter me sentido tão sozinha.
No fim das contas não tive uma recepção no Brasil, ainda que todos tenham ficado felizes em me ver. Ta certo que cheguei numa hora não muito boa. E só queria estar aqui, com minha família.
Hoje ainda, me sinto mais só… tentando remar pra conseguir forças e continuar.
Mas não é fácil chegar sem um rumo certo. Depois de ter passado tanta coisa. Fora o furacão que passou por aqui e deixou tudo de perna pro ar.
Só tenho a dizer, ainda bem que não to de saia.. rs
No fim das contas é “tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo (Walter Franco)”, apesar de ser mais fácil falar do que colocar em prática.
Todo mundo precisa de um tempo pra chorar, apesar de não resolver, ajuda a esvaziar, e completar o vazio que se sente quando não se tem mais o que sentir.
Depois da despedida da empresa começaram os preparativos para a viagem à Itália. Ta, claro que não começaram exatamente no dia porque a mala já estava pronta na minha cabeça há mais de uma semana!
Sexta feira de muita atividade, malas prontas e rumo ao aeroporto!
A viagem foi super bacana! Vi minha cidade (Aalsmeer) na decolagem, passamos por cima dos Alpes! Gente, que coisa! Aqueles cumes cheios de neve! Mas a esperta aqui deixou a câmera dentro da mochila, dessa vez fico devendo. A prima Lucianne e o Davide já estavam me esperando no aeroporto! É tão bom rever as pessoas depois de muito tempo… to até vendo como vai ser na volta pro Brasil. E foi muito bom também pra me aproximar dela… conhecer um pouco mais da família. Eles já estavam lá me esperando com o trailer e fomos direto pra Portovenere, uma cidade na região da Ligúria. Geograficamente falando, fica na parte da frente do topo da bota! Chegamos comemos e dormimos. Viajar assim cansa também, né?
De manhã descemos até o porto. Que lugar lindo! As cores, os cheiros, as pessoas… tudo muito particular. Tá, particular no sentido de diferente, porque ô povo pra ser curioso esse tal de italiano! Não tem nada que seja particular mesmo!
Depois, barquinho para conhecer Cinqueterre. Como o nome diz, cinco cidades. Todas meio incrustadas na pedra, num valezinho. Mas muito charmoso.
Volta pro trailer pra tomar um banho e preparar pra ir jantar, mas não sem antes ter um bolo surpresa pra mim! Feliz aniversário pra mim!!! Sufoco pra esconder o bolinho, tentar acender as velas sem eu ver.. fiquei muito feliz! Realmente não tava esperando nada de mais. Até disse pra Lu, que na verdade eu nunca gostei muito do meu aniversário, e que esse ano tava sendo bem diferente porque o dia tava sendo tão especial, com tanta coisa acontecendo, que o fato de ser o dia que eu nasci não fazia tanta diferença. Mas é sempre bom ter um parabéns pra você!
Daí fomos jantar num restaurante típico com direito a salada de polvo, marisco recheado e o legítimo macarrão italiano com pesto genovese! E realmente, se você vai à Itália não pense em dieta!
Aí o dia acabou… ledo engano! O sócio do Davide ligou convidando para irmos passear de barco no domingo. E lá vamos nós parar perto de San Remo, três horas de viagem. Levanta cedo no domingo e partiu pro mar. Uma delícia a sensação do vento na cara, o barco balançando, pulando as ondas e a Lara enjoando! HA! Passei a viagem quase toda dormindo pra não passar mal. Até que chegamos à baía de Villefranche-sur-Mer, pertinho de Nice, no sul da França. Água quentíssima, 5 metros de profundidade e dava pra ver o fundo! E dá-lhe Lara passando mal. Tirando isso, foi uma experiência muito bacana. Como disse a Lu, sabiamente, “a gente não precisa ter, só precisa saber quem tem!” Na volta consegui ver melhor o caminho, inclusive porque passamos na frente do Principado de Mônaco. E não sei porque é um lugar que sempre me chamou a atenção.
De volta à terra firme, fomos pra Turim, onde eles moram realmente.
Lá tive a oportunidade de bater perna até falar que chega, conhecer o museu do cinema, passear de noite, jantar num restaurante típico do Piemonte, com direito a suflê de queijo com pêra e creme de cebola, pato com laranja e ravióli na manteiga e sálvia. Fora a degustação de queijos no mercado. E o jantar preparado pelo Davide em casa! Gente! Que delícia! Aí né, eu tinha comentado que por 10 meses eu não comi carne, que realmente é uma coisa difícil de se achar aqui na Holanda, uma carne daquelas boas mesmo. E ele preparou um belo pedaço de bife à moda italiana. Sem tempero, e só passa no fogo pra esquentar praticamente, quase cru! E tempera-se no prato com um sal especial, com ervas. É o tipo da coisa que não consigo nem descrever. Isso sem falar nos vinhos de todos os tipos.
Muitos passeios com a Lu enquanto ela não estava no set de gravação de uma minissérie italiana! Muito chique essa minha prima!
Fomos ainda ao parque valentino, igrejas mil, inclusive aquela que guarda o santo sudário. E com direito a pisar no saco do touro pra ver se dá sorte!
Bom, espero que dê né?
A volta foi tranqüila também. Tentei tirar a foto dos Alpes dessa vez, mas as nuvens não deixaram. No entanto quando estava chegando na Holanda vi que passava por cima de Neetje Jans, onde fomos visitar o dique (foto no picasa), e aí sim tirei foto da rua que eu moro de dentro do avião! Muito legal.
E ontem fizemos uma reuniãozinha tipicamente brasileira aqui em casa, com a presença dos integrantes da casa mais o Japa, e dois poloneses que trabalharam comigo aqui.
Hoje estou tentando preparar as malas pra voltar, pensando nas últimas coisas para comprar. E ainda vem o amigo Fabrício de Delft me dar um abraço de despedida hoje!
Ansiosa para voltar, mas com medo da volta. Vovó não está muito bem, então é pouco provável que eu faça um pit-stop em BH. E vamos ver como vai ser em Viçosa, por enquanto não tem nada planejado.
Vou voltar sem celular, o meu antigo foi roubado em algum momento desses 10 meses, então façam contato pela net ou liguem pra minha mãe ou na casa da minha avó, que será a minha morada por enquanto.
Vou contar pra vocês agora sobre um dos passeios que eu mais queria fazer aqui dentro da Holanda.
Uma coisa que sempre me fascinou desde pequena foi essa tal de engenharia. Como as coisas são feitas, como elas funcionam. Cheguei a desmontar várias coisas só para ver como era dentro, ou pra tentar consertar.
E se tem um motivo muito bom pra se tirar o chapéu para os holandeses é essa tal de engenharia.
Pode-se dizer que os holandeses literalmente conquistaram suas terras. Colocaram o mar pra trás e hoje tem grande parte do seu território abaixo do nível do mar.
Essa façanha foi feita com a utilização de diques, ou polders, que “represam” o mar pro lado de fora.
No último sábado eu fui com o Japa num desses diques. Bem diferente do que eu imaginava pra dizer a verdade. Pensei que ia chegar lá e encontrar um grande muro (hahaha) que nem aquele da história do menino que segurou um furinho com o dedo pra não ter enchente na cidade. Ledo engano.
É uma bela de uma rodovia construída por cima de 64 portões. Esse dique que visitamos foi o último a ser construído de uma série depois da grande enchente de 1953 que matou quase 2000 pessoas e quase 80.000 animais. Nessa época a água do mar chegou a subir cerca de 4,2 m. E isso pra um país onde mais da metade das terras esta a apenas 1m acima do nível do mar é algo meio catastrófico.
Enfim, essa barreira foi construída por último por ser a maior delas. Foi preciso inclusive a construção de uma ilha artificial no meio do caminho. E é exatamente lá, nessa ilha, que tem um parque temático que mostra toda a história da construção desses diques. Chama-se Neeltje Jans, ou deusa das águas.
Primeiro desafio, chegar lá! Quase 4 horas de viagem, desde bicicleta, ônibus, trem e ônibus de novo. O parque todo bonitinho arrumadinho e pequenininho. Foi fácil fácil ver tudo. Com direito a show de focas e voltinha de barco. Passando por filme documentário e 3D.
Mas o ponto alto, pra mim, foi mesmo ver por dentro da barreira (The Oosterschelde storm surge barrier). Com várias maquetes, linhas do tempo e placas explicativas. E logo em seguida se encontrar bem acima de onde a água do mar entra no país para manter o ecossistema local. Essa última barreira foi construída em 1986, tem a minha idade. Mas antes disso já havia outros diques que foram construídos inclusive sem o auxílio de computadores, por isso são considerados grandes feitos da engenharia.
Essa barreira foi construída com blocos enormes de concreto maciço, feitos no local mesmo. Com barcos especiais pra transportar até o local exato e tudo mais. Entre esses blocos existem portões de 12 m de largura, se não me engano e variam na altura de acordo com a profundidade do local. Quando o nível da água está 3 m acima do que é considerado normal os portões são fechados para evitar novas enchentes.
É um passeio que vale a pena fazer, por mais que seja longe, e o parque não seja lá grandes coisas. Acho que esses diques fazem tão parte da história da Holanda quanto os moinhos, queijos e tulipas, talvez até mais, já que se não fossem eles grande parte do território holandês não seria habitável.
Mas acho melhor eles limparem um pouco mais, construir campinhos de futebol pra seleção treinar mais um pouco, eles sempre ficam no quaaaaaaaase na final da copa! Acho que é tradição já!
Mudando de alhos pra bugalhos, ontem foi meu último dia no trabalho. Me sinto muito mais aliviada. Vi pela última vez pessoas que eu não devo ver pelo resto da minha vida, e nem sei se lembrarei de todos daqui a 5 anos. Enfim, agora eu tenho mais é que terminar de arrumar as malas que hoje eu vou pra Itália! A prima Lucianne vai me buscar no aeroporto e vou passar meu aniversário por lá. Portanto, é pouco provável que vocês me achem pela rede nos próximos dias. Aceito mensagens no celular (haha), email, recado no orkut, depoimento e comentários no blog! Presentes podem mandar pra casa de vó e dinheiro depositem na conta! Uepa!
E continuando a contagem regressiva pra voltar pro Brasil… 10 dias! Já posso ir fechando um dedo da mão por dia agora!!!
Ai q saudade apertada….
Quero pão de queijo!
PS:
Lista de coisas para comer quando voltar (a completar), sugestões são bem vindas:
Coxinha
Pão de queijo
Quibe
Pastel
Arroz
Feijão tropeiro
Carne, carne, carne
Farofa
Churrasco
Bolinho de carne moída da ilza
Couve
Canjica
Canjiquinha
Mandioca
Angu
Cachorro quente
Bife à milanesa
Guaraná
Chocolate BIS
Pão quentinho com manteiga e café no café da manhã com mamãe
É, a verdade é que nesses dias eu já to de saco cheio (com o perdão da palavra) desse lugar e dessas pessoas. Então to sem ânimo pra escrever, mas tenho muitas coisas pra contar!
Vamos ver… parei em Amsterdã. Depois disso começou a copa! Ta tudo laranja aqui! Pessoal bem patriota também. Com a diferença que eles não tem o #calabocagalvao, pelo contrário, na narração deles eu raramente reparo quando foi gol! Fora que fogos de artifício são proibidos por essas bandas e as vuvuzelas não fizeram tanto sucesso no país que nem os cachorros latem. Então realmente não tem graça ver os jogos. Desde o primeiro momento já fiquei meio na defensiva, vai que acontece o que realmente aconteceu?! Um jogo entra Brasil e Holanda! Mas isso veio depois.
Fui passear em Rotterdam com o Gui num domingo de super sol! Os dias estão quentíssimos por aqui. Nesse momento to do lado de fora de casa a 34°C. Como toda boa cidade holandesa, por maior que seja as atrações se concentram num ponto. Nesse caso, no porto. Em Rotterdam fica o maior porto marítimo da Europa. É uma cidade relativamente moderna quando se compara com outras cidades da Holanda, já que foi bem danificada durante a guerra e, portanto, reconstruída. Subimos na Euromast, uma torre de observação. E foi muito estranho estar em um lugar alto! Comprinhas básicas na loja de eletrônicos, casa cubo e de volta pra casa.
Nessa segunda ficou decidido que o Brasil jogaria contra a Holanda na sexta feira. E foi muito engraçada a reação das pessoas! No trabalho o clima era de “o sonho acabou”. E teve até gente que começou a me atacar por motivos simplórios pelo simples fato de se sentir ameaçado a sair da copa. E, sinceramente, eu não acreditava que o Brasil pudesse ganhar da Holanda.
No outro fim de semana fui encontrar o Gui na região onde ele trabalhou quando chegou aqui na Holanda, Brabant. Mesmo sento um país tão pequeno quando compramos com o Brasil, a Holanda também tem seus dialetos. As pessoas no trabalho me dizem que não entendem quando conversam com as pessoas do norte, e o Gui me contou que nessa região que ele trabalhava os telejornais tem legenda quando a reportagem é feita em outra região do país! Que coisa né? A cidade chama Oudenbosh, bem quieta. Isso foi na sexta, dia do jogo do Brasil contra a Holanda. Chegamos aqui em casa a tempo do segundo tempo. O japa veio aqui pra casa de noite e meio que virou
uma festinha de despedida pro Gui. No sábado tínhamos planejado ir à Den Haag, a cidade da rainha, mas o tempo não ajudou, e no domingo foi o dinheiro quem não quis colaborar! Fomos então para Amsterdã comprar umas coisinhas antes da viagem de volta.
E então o Gui veio aqui pra casa na quarta para poder pegar o avião de manhã na quinta feira, já que a estação mais próxima aqui é o aeroporto. Daí né, tem a história da mala. Pra viajar pra Grécia o amigo Fabrício de Delft me deu uma mala que ele não usava e que foi de ótimo proveito. E o Gui me chega aqui na quarta falando que a mala dele estava com uns 38Kg (sendo o máximo 32). “Tá, Gui, leva a mala, eu arrumo outra aqui.” Dito e feito! Na quinta mesmo eu comentei com a gerente da empresa coisa do tipo: “você sabe onde eu posso encontrar uma mala barata?” e ela me disse que tinha uma em casa! Hoje já trouxe ela pra cá!
Eu até pensei que ficaria triste com a viagem do Gui, e realmente fiquei, mas não porque ele viajou, mas porque EU queria estar voltando pro Brasil agora!!! Menos mal né?
E a quinta ainda foi um dia mais estranho. Tem uma trabalhadora na empresa que é da Sérvia. Ela não fala muito bem inglês, e eu não falo muito bem holandês, mas a gente sempre procurava comunicar de alguma forma, dessas pessoas que tem o coração enorme. O nome dela é Boba. E na quinta foi o último dia dela, antes das férias, e ela só volta em agosto. Daí a ficha caiu. Começo a me despedir de pessoas que provavelmente nunca mais vou ver e que de uma forma ou de outra foram marcantes nessa etapa da minha vida, mesmo com todas as falhas de comunicação, quando existe interesse, afinidade e força de vontade a gente consegue. O mesmo caso do turco, que já saiu da empresa. Um polonês e um marroquino também.
Semana que vem vai ser minha última semana de trabalho. Quatro dias. Continuo não gostando do trabalho, das pessoas. Que estão insuportáveis depois que venceram o Brasil na copa! Tão achando que é boxe, venceram o melhor do mundo e ganharam o cinturão! Ai ai… mas eu quero mesmo que eles ganhem, merecem, jogaram bem e pelo menos vão ficar de bom humor.
Eu sei que outras pessoas tiveram experiências muito melhores que a minha aqui nessa terra estranha de gente esquisita. Passear em outro país é completamente diferente de morar nele. Um país pro turista é feito de atrações, lojas, natureza.. para se morar o país é feito basicamente de pessoas. E se alguém me pedisse pra definir os holandeses eu diria que são uma mistura de argentino com português. Desculpa àqueles que tem opinião diferente, mas para mim, com raríssimas exceções, eles são burros e arrogantes. Mas o país é bonito! Tem seu charme europeu também.
Amanhã vou visitar um dique (aqueles muros que deixam a água do mar do lado de fora, hahaha), que é uma das coisas que eu queria mesmo fazer por aqui. Esse tem um parque junto, chama Neeltje Jans. Espero que o tempo colabore.
Vou postar as fotos dos passeios no picasa já já, acho que hoje ainda estarão lá.
No mais, agora é arrumar malas e preparar pra finalizar tudo.
Quita: último dia de trabalho
Sexta: Itália!
Sábado: meu aniversário =)
E dia 26: volta pro Brasil
Sei que andei um pouco sumida depois da Grécia, mas motivos não faltam. Além da curtição da viagem que sempre ficar uns dias depois, existe o fator: “Lara volta de viagem e acontece alguma coisa bem chata”.
Na empresa, tudo na mesma. Sim, na mesma! O banco ainda não autorizou a venda por completo, então estamos trabalhando pra não sei quem mais. O importante é que to recebendo. Segunda feira, assim que cheguei de viagem o judeu que me ajudava na empresa me disse que seria o último dia dele.
Bom, passada semana turbulenta fui curtir uma praia legitimamente holandesa com o Japa, já que moro a 20 Km do litoral né (o que é praticamente no meio do país, hahaha)
Mas a grande surpresa veio semana passada. No fim de semana retrasado comprei os tikets pra minha próxima e ultima viagem pela Europa: Itália! Vou no dia 16, visitar a prima Lu e passar meu aniversário em família! Durante a semana recebi o tiket eletrônico para essa viagem, fui conferir no site, tudo direitinho e resolvi conferir também a passagem de volta pro Brasil. Poisé, fiquei olhando a página um tempão tentando entender realmente o que estava escrito. Quanto entendi, vi que “eu tinha viajado no dia 2 de junho”. Mas eu ainda estou aqui!!! Fui ver que confusão é essa. Entrei em contato com a empresa em Viçosa que eu comprei as passagens, que entraram em contato com a operadora em BH que compra tikets para estudantes com a Cia Aérea. Já entendeu onde foi o problema né? Se for pra comprar, compra direto com a Cia Aérea! Até hoje não sei onde foi o erro. No sábado estive em contato direto no guichê da KLM para ver o que poderia ser feito, e na hora eles alteraram a data, eu escolhi o assento e tudo mais. Nem me encaminharam pra outro setor, nem procuraram saber nada. Coisa que eu esperava ter a maior dor de cabeça pra resolver. To deixando o povo daí do Brasil bater cabeça um cadim pra ver se descobrem onde foi o erro e pra não acontecer de novo!
Passado o susto, fui passear por Amsterdam com o meu parceiro Gui. Conhecer a cidade de dia e sem chuva! Sério, toda a vez que eu ia pra Amsterdam ou chovia ou nevava. Dessa vez o dia estava lindo! Andamos pelas ruas do famoso Red Light District. Passeamos no Vondelpark e assistimos à apresentação da Missa de Réquiem de Verdi no Concertgeboun pela Orquestra Filarmônica da Holanda! Coisa fina! Ingressos pra jovens de última hora. Eu tenho meus momentos de sorte por aqui também.
Bom, agora é recomeçar a contagem regressiva! Uma pro dia 16, último dia de trabalho e minha viagem pra Itália, com volta marcada pro dia 22. E a super esperada contagem pra minha volta pro Brasil no dia 26 de julho. Chego em BH quase no dia 27 né, mas tudo bem…
Agora é só torcer pela seleção e correr pro abraço!
Não sei bem o que a televisão brasileira tem noticiado sobre a Grécia, e sei por alto sobre a crise que assola aquele país. Mas muitas pessoas me advertiam que eu deveria ser cautelosa, cancelar ou transferir a passagem quando eu dizia que iria pra lá. Que eu era maluca e coisa e tal.
O fato é que eu fui!
Essa viagem começou a tomar corpo em dezembro. Tá, bem antes, porque Grécia é Grécia né? Desde o ensino fundamental nas aulas de filosofia, quando aprendia sobre os Mitos e mitologia grega, eu já me fascinava com a inteligência e beleza desse país tão cheio de história.
Mas em dezembro surgiu uma idéia de por acaso, assim, quem sabe, talvez, planejar uma viagem pra Grécia em uma conversa de msn. Afinal de contas, estou num momento de aproveitar as oportunidades. Então começaram as pesquisas, preço de passagem, hotéis, ilhas, curiosidades… e vimos então que as passagens não seriam tão fora do orçamento levando-se em conta a realização de um sonho.
Ao longo de meses os preparativos foram sendo executados. Compra da passagem de avião em fevereiro, dos bilhetes de barco em março, reserva dos hotéis em abril e contagem regressiva em maio.
Já dizia mamãe, o melhor da festa é esperar por ela! E essa foi a minha cenourinha por todos esses meses.
Acho que preciso apresentar o meu parceiro nessa aventura. O Gui já foi citado anteriormente no blog. Ele veio para a Holanda pelo mesmo programa que eu e trabalha com vegetais. Ainda bem que arrumei alguém tão doido quanto eu pra se sujeitar a passar 8 dias incríveis na Grécia.
Malas prontas, fiquei numa febre chata na noite anterior à viagem, depois de alguns dias de tosse e dor de garganta. Na quinta feira, dia 20 de maio, fui pro aeroporto mais cedo para me despedir da Vânia e sua família que cuidou de mim tão bem quando eu precisei. Eles voltaram para o Brasil no mesmo dia que eu viajei pra Grécia. Já foram deixando saudade por aqui. Logo o Gui chegou para que pudéssemos fazer o check-in e esperar a decolagem. Pela terceira vez voei de avião e pude ver o tapete de nuvens.
A chegada foi emocionante. Ver as montanhas, as casinhas brancas… assim que se avista o aeroporto o avião parece que vai descendo em espiral. Sobrevoando algumas ilhas e o mar Mediterrâneo.
Descida do avião de escadinha, transporte até dentro do aeroporto de ônibus, em pé. E enfrentar a paralisação geral de 24 horas bem no dia 20. Os trens não estavam funcionando, então teríamos que pegar táxi ate a cidade de Atenas. Encontramos um casal de americanos do Texas que estavam fazendo mochilão pela Grécia e dividimos a despesa. O hostel em Atenas não foi lá essas coisas, água gelada, mosquitos… mas tudo bem. Sexta feira de bate perna! Já que se está em Atenas, vamos pra acrópole!
Primeiro desafio, chegar na acrópole. Nos perdemos algumas vezes pelos becos, subidas, escadas e curvas de Atenas, o que rendeu umas fotos bem bacanas. Mas enfim chegamos. Lugar cheio, de gente e de história. E de brasileiro! Encontramos brasileiros em todos os cantos que fomos na Grécia. Lá de cima, bem pertinho do Parthenon, o templo de Atenas Nike, pode-se ver até o porto da cidade de Atenas, o mar, montanhas, e uma infinidade de casas! A cidade em si tem muita coisa de capital, é feia em vários sentidos, fede… mas pela quantidade de história que guarda em cada esquina é fascinante.
Hora do almoço, muito cheiro de azeite e ervas no ar pra abrir o apetite! Voltamos então aos restaurantes nas escadas no caminho para a acrópole. Difícil foi escolher onde parar, na frente de cada restaurante tinha alguém convidando para entrar, e no meio de uma escadas encontramos um senhor que perguntou de onde éramos, respondemos que do Brasil e ele começou a falar em português! Bem razoável, não era como aquelas pessoas que sabem meia dúzia de palavra em cada idioma pra atrair freguês. Ficamos por ali mesmo! Viemos saber depois que esse senhor morou no Brasil nos anos 70-80, em São Paulo! Nos ajudou a escolher muito bem a comida: a legítima salada grega de entrada, tomate, pepino, pimentão, cebola roxa, queijo feta (queijo de cabra produzido só na Grécia), ervas e muito azeite! Aliás, o azeite é realmente muito presente na culinária desse povo, o consumo médio por pessoa é de meio litro… meio litro por semana! Continuando, veio um patê de ovas de peixe, também com muito azeite, pra mim veio um prato de sardinhas fritas, uma delícia! Com limão. O Gui se esbanjou num carneiro. Tudo isso acompanhado de Ouzo, bebida típica grega com um gosto delicioso de anis, transparente, mas quando se coloca gelo toma um tom leitoso.
Fomos fazer a sesta numa sombrinha ao lado do tempo de Zeus com uma vista linda da Acrópole e do Parthenon, acompanhados por uma tartaruga. Mais algum passeio, algumas comprinhas e de volta pro hostel para arrumar as malas e preparar para zarpar bem cedo pra Mykonos no sábado.
A chegada no barco foi emocionante! Ver aquele monte de caminhão entrando, mais um bocado de gente, e imaginar que as ilhas sobrevivem com aquelas viagens diárias carregadas de mantimentos e turistas! Algumas ilhas ainda tem aeroportos, mas não é tão acessível pra todo mundo.
Momento de filosofia olhando para a água:
Lara, em seu momento bióloga – Será que tem baleia no Mediterrâneo?
Gui, meio sem prestar atenção – Deve ter, não sei, o Gibraltar é largo…
Lara – Sério? Eu jurava que era Estreito!!
(muitos risos)
Depois de 5 horas de viagem chegamos ao nosso destino, Paradise Beach Resort, que de resort só tem o nome! O Pânico na TV já gravou uma reportagem nessa praia com a Sabrina Sato e o Cristian Pior.
Passamos um domingo de lagarto, do sol pra água. Com um café da manhã gostoso sentindo a brisa do Mediterrâneo. E por falar em água, gelaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaada!!! Mas de uma transparência incrível! Dava pra ver tudo no fundo, mesmo quando o fundo estava a mais de 3 metros! Peixinhos que vem brincar com você, pedrinhas roladas, e areia de todo tipo que você pode encontrar nas praias, uma diferente da outra. Inclusive com direito a encontrar ouriços descansando nas pedras bem pertinho da praia, um perigo, mas também um prato típico que não tive coragem de experimentar.
E a água, com vários tons de azul, as fotos não mentem e não têm photoshop também.
Na segunda feira alugamos um quadriciclo para poder explorar outros cantos da ilha, afinal, não fomos para uma praia, fomos para uma ILHA! Descobrimos muitos cantinhos gostosos. Praias menos baladas mas com água não menos gelada:
E almoçamos num vilarejo no meio da ilha:
Depois do almoço nos espichamos um pouco nas areias de uma praia no meio do caminho e rumamos para conhecer mais um pouco da ilha, a cidade de Mykonos mesmo, onde tem os famosos moinhos de vento (muito diferente desses da Holanda), as casinhas brancas com detalhes azuis ou vermelho e muitas, mas muitas flores! Para então voltar pro hotel, descansar mais um pouco (porque essa vida de turista caaaaaaaaaaaaaansa.. hahaha) e arrumar as coisas para embarcarmos no dia seguinte para a próxima ilha: Siros.
Pegamos o mesmo barquinho que viemos, no sentido contrário, e fomos parar numa ilha completamente diferente de Mykonos. Atravessamos a ilha para chegar ao hotel, e fomos recebidos com uma sacada de frente pro mar, ai ai! Fomos direto alugar um quadriciclo e ver o pôr-do-sol em uma praia! Coisa de louco!
E mais um dia passeando por ilha. E essa é realmente bem diferente de Mykonos. Por ser a capital das ilhas Ciclades parece ser mais urbanizada em vários aspectos, tanto nas casas, quanto nas ruas. Já não tem tanto aquelas construções caiadas com janelas azuis, e sim construções de alvenaria boa, mas mantém as cercas de pedra, que chegamos à conclusão que não são de madeira porque definitivamente não existe madeira nas ilhas! É tudo rapado, careca! Achar uma sombrinha é algo bem difícil.
Esses passeios pelas ilhas foram bem proveitosos, o Gui ia dirigindo e eu ia atrás tirando fotos, muitas fotos. Mais tarde, já em casa, tive algumas surpresas, porque apareceram fotos que nem lembrava de ter tirado. Essa por exemplo:
Eu lembro de ter tirado foto da construção anterior a essa, mas fiquei agradecida de não ter conseguido afinal de contas.
Para encerrar nossa estadia nas ilhas fomos jantar no restaurante da praia, com direito a coelho com macarrão e veado com batatas, azeitonas e cerveja grega, que por sinal é boa também!
No dia seguinte passamos a manhã na praia e voltamos cedo pro hotel para arrumar as coisas e voltar pra Atenas de tarde.
A viagem foi bem tranqüila e o espetáculo final foi por conta das gaivotas que acompanham o navio na chegada do porto, bem de pertinho mesmo!
Ficamos no mesmo hostel e pegamos o avião de manhã para voltar à Holanda na sexta. Provei então o café grego no aeroporto. De início achei bem encorpado, diferente, depois fui tomar de novo e vi que tinha pó no fundo! Eles não coam o café, misturam o pó mesmo na água e tomam! Não é ruim, só não é algo que eu tomaria todo dia com minha mãezinha no café da manhã.
A língua não foi um verdadeiro desafio, foi mais um passatempo. O grego lembra em muitas coisas o português, mas não sabemos ler a sonoridade das letras do alfabeto grego. Mas as placas, sinalizações, todas tem as frases no alfabeto romano, entao começamos a fazer associações. Mais um pouco e já estaríamos falando grego! No inglês é que ficava meio complicado, porque o sotaque deles é muito forte, tinha hora que era realmente impossível entender o que eles falavam.
Voei pela quarta vez de avião e já pensando na próxima… pensando seriamente em voltar pro Brasil… curtindo ressaquinha pós Grécia… Ressaquinha essa que espero curtir por um bom tempo mais… olhando as fotos e relembrando todos os sentidos despertados nessa viagem incrível, com tantos tons de azul, até mais que Paris!
Sei que deixo escapar muita coisa, muitas sensações, situações.. enquanto escrevia esse texto voltei várias vezes por ter lembrado de alguma coisa.
O que fica é um sentimento de felicidade imenso! A realização de um sonho, uma viagem fantástica e a sensação de que vale a pena continuar!
Agora é curtir e planejar a próxima viagem…
E daqui a 53 dias estarei de volta ao meu Brasil querido!